
Vê como a gente se espelha e se espalha
Um transparece no outro, o que pensa e o que fala (...)
Teu corpo se veste do meu
Quem for parar pra me ver, lá no fundo verá você
A brilhar em mim ~Pedro Mariano*

'Tenho ciúmes, nem imaginas (os ciúmes que tenho). Queria que fossem só meus, esses fiapos de atenção que distribuis pelos outros ao longo do dia. Tenho ciúmes da vizinha com que te cruzas ao descer as escadas, que passa apressada e sombria se apercebendo do teu perfume. Tenho ciúmes da colega que partilha contigo o elevador, respirando ambos o mesmo ar, e partilhando aquele bom dia casual, e aquele sorriso rotineiro. Tenho ciúmes da recepcionista que chega por trás e se debruça perigosamente sobre essa nuca que é minha, para te mostrar um documento qualquer; e da empregada do restaurante, que recebe o teu pedido, sugerindo-te as especialidades do dia, e a quem sorris alheio enquanto encomendas um vinho qualquer da lista. Tenho ciúmes de quem se senta ao teu lado e usufrui de toda a tua atenção; da moça que vai a conduzir, a quem dás prioridade e deixas passar à frente com um aceno de cabeça e um olhar de raspão, desfocado mas atrevido (são os meus olhos que assim o vêm, dizes tú, mas eu tenho ciúmes). Tenho ciúmes da menina do caixa na loja que se demora nos trocos. Tenho ciúmes das que olham para ti na rua e te prescrutam o dedo anelar, tentando perceber se és casado, se estás disponível ou se ambas as coisas. Tenho ciúmes das que têm coragem para te abordar de rompante num bar ; da doctora da farmácia onde avias as receitas, do tempo que demoras ao balcão, fazendo conversa, conferindo dosagens, pedindo recibos. Tenho ciúmes da velhinha da pastelaria que te conhece há anos e que te tremelica uns bons dias com familiaridade deslocada. Tenho ciúmes da tua empregada, que limpa e arruma os restos de ti que sobram pela casa quando não estás, recolhendo em sacos de aspirador os teus cheiros e os teus perfumes. Tenho ciúmes, nem imaginas (os ciúmes que tenho).' ~Sofia Vieira*
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
Ailin Aleixo*

Sempre tive o azar ou a sorte de encontrar homens possessivos, e até aqueles que se diziam não ser acabavam fazendo figuras patéticas e tomados como mentirosos.. culpa minha?? só ser for pecado ser bonita.. culpa deles?? certeza. homem que reclama do decote da mulher, não confia no instrumento que carrega no meio das pernas.. e aquele que insiste que eu deva deixar de falar com os meus amigos porque eles apreciam o meu rabo, os meus seios, os meus lábios (parece que os meus amigos não tem mais nada a fazer senão apreciar-me coitados), esse não confia em nada, muito menos nele proprio. e se ele zanga porque sou assediada, é porque não se acha capaz de me segurar por muito tempo.. e aí a culpa não é minha.. ter qualidades não é defeito , e ser apreciada por eles muito menos. que querem? que eu saia de casa de roupa amarrotada, cabelo despenteado, banho não tomado, dentes mal lavados para se sentirem confiantes?? Se deu encima de mim e conseguiu ganhar o trofeu que tenha forças para aguentar os que também tentam a mesma sorte.. Que foi?? estou a ser convencida?? Nem por isso. claro que é bom ouvir uma e outra paquera, o ego sobrevaloriza-se e a estima cresce feito barriga de gravida.. mas eu nem sou muito ligada as paqueras, o meu espelho faz melhor papel na minha estima que qualquer paquera barata .. a única paquera que supera o meu espelho é a paquera dele ( e o pior é que ele nem percebe isso).. ao inves dele se preocupar com o que os meninos sem ocupação dizem, devia fazer o obvio, paquerar-me ele também, todos dias, a todo momento.. mas uma vez dentro da relação o que ele faz é reclamar dos que estão fora, sem se aperceber que o problema está mesmo no seu interior e não em mim , nem neles.
Quando é para falar de amor não existe pessoa que se enquadre mais neste sentimento que ela.Embora ela faça o seu papel de mãe todos dias, não custa nada aproveitar esta data para parabeniza-la mais uma vez pela maravilhosa mãe que ela é. O obrigado não vai nem pelo facto dela me ter posto no mundo. Não.. Ela é bem mais do que isso. É por todo apoio, por todos abraços, por todos conselhos,pelos puxões de orelha, pelas gargalhadas, por ser não só mãe como uma das melhores amigas que tenho, por participar das minhas loucuras, por ser louca, linda, mas acima de tudo uma grande mãe..
Feliz dia das mães SUPER MÃE.*

As vezes somos tão iguais.
As vezes terminamos as frases um do outro. Combinamos um passeio e quando o vejo a descer as escadas de casa para pegar a minha mão , sorrio, combinamos na cor da camisa. Algumas vezes eu começo a mensagem e ele corta o meu pequeno textinho com uma ligação e diz exactamente as duas palavras que eu escrevia na caixa de mensagem 'amo-te muito'. Algumas vezes esta telepatia até assusta, parece até coisa de outro mundo, o único problemas é aquele velho incomodo causado pelo 'as vezes'. As vezes é exactamente isso, a ausência do eterno, e por só acontecer as vezes muitas vezes nos deparamos com diferenças ainda mais assustadoras que a telepatia do as vezes.. Eu sorrio e ele está cansado demais para esticar os lábios, ele quer sair, eu quero a minha cama.. ele quer a cama dele comigo, eu quero a minha cama sozinha.. ele quer o mundo, eu quero somente alguns momentos de sossego.. e aí pouco importa se combinamos a cor da camisa, ou se terminamos as frases um do outro.. a incompatibilidade de humores mata a telepatia do as vezes, e fica aquela pergunta : como fazer para acertarmos os nossos relógios de humor e vontades? ..
O que eu realmente quero é tornar o ' as vezes' no eterno 'sempre'.. *